quarta-feira, 16 de maio de 2012

CONSTRUIR OU DESTRUIR ?


 



"Nesta vida todo mundo quer se "dar bem".
Esta frase tem sido muito usada pelas pessoas que vivem o aqui e agora. " Se dar bem" é a fórmula. A que preço? De que forma? Pouco interessa. E assim vai uma multidão de pessoas agindo como um arrastão, apenas para "se dar bem".
Diria eu, na minha pseudo sabedoria que infelizmente não pude adquirí-la nem em bancos escolares, nem em livros mas nas experiências que vivi na carne como um simples lavrador, que as pessoas perderam o rumo. Hoje no mundo espiritual, fazendo o balanço das vidas encarnadas das quais me é permitido lembrar, consigo perceber que a mais importante para minha evolução foi essa onde o cultivo da terra me sustentava o pão.
Aprendi nela a humildade que só a natureza é capaz de exemplificar, a paciência de esperar a semente desabrochar, crescer, florescer e retornar num saboroso fruto. Aprendi valores que ainda vigoram entre as pessoas criadas no interior. Acordando com o amanhecer e arando a terra, curei-me da preguiça. Observando as estrelas iluminando as noites, compreendi o quanto somos pequenos diante da grandeza da criação e do Criador.
Hoje tudo é automático e muito fácil. Todos precisam "ter", quase ninguém preocupa-se em "ser". Tudo tem que ter retorno imediato e lucrativo e de preferência, reconhecido e exaltado por muitos.
Adoração ao deus Ego, criando uma nova religião!
As vezes, no silêncio em que trabalhamos no mundo espiritual, nos assusta ainda o alarde com que se trabalha no mundo material, inclusive na caridade.
Filhos de boa índole, de coração amoroso e de mãos laboriosas mas que infelizmente se perdem na necessidade do reconhecimento de seus feitos.
Esquecem-se os irmãos encarnados que todo bem  realizado não passa de mera obrigação, sem motivos para exaltação ou publicidade. Muito menos de disputa.
Quando se praticam atos considerados caridosos, que seja de bom grado, com o coração livre e limpo de  cobranças, para que possa gerar energia "construtiva". Ou o contrário pode estar se dando, sem que o feitor perceba.
Sabemos que "tudo" é energia. Condensada ou solta no espaço cósmico, está disponível para manipulação constante dos seres pensantes. Portanto, o simples fato de "pensar" já constrói ou destrói. Constatamos através da observação, pela energia gerada em qualquer trabalho realizado, que muitas vezes as mãos constróem aquilo que o pensamento imediatamente destrói. Ou seja, enquanto se realiza um trabalho manual, se ao mesmo tempo nosso coração e nosso pensamento não estiverem envolvendo aquilo num sentimento elevado de amor e gratidão, é melhor que não o façamos, pois ali estará sendo impregnado pela nossa energia que ficará refletindo no ambiente. E tudo que reflete, a nós retorna também e sempre em primeira mão.
Amigos e irmãos de caminhada. Fazei, mas não pelo fato de simplesmente fazer. Construí com as mãos, colocando nelas vossos corações, considerando que tudo que delas sai são sementes. Sede lavradores e semeadores no dia de hoje, pois amanhã se dará a colheita.
Bons frutos a todos vós!
Tucuruí - Um Caboclo de Oxossi.
jan/2009

terça-feira, 15 de maio de 2012

AS CRIANÇAS DO SÉCULO XXI



 




As crianças de hoje surpreendem pela sua incrível capacidade de lidar com engenhocas tecnológicas. Assustam adultos de mais de trinta anos que sentem algum desconforto frente ao computador, a botões e máquinas eletrônicas sofisticadas.
Os garotos da atualidade assistem em tempo real ao que ocorre em locais distantes de onde se encontram e estão habituados a conquistas científicas.
Tudo isso leva pais a se considerarem ultrapassados, endeusando os filhos ou considerando-os verdadeiros gênios.
Por mais que ajam com certa autonomia, as crianças de hoje, como as de ontem, têm necessidade dos adultos para lhes dizer o que fazer e o que não fazer.

Os pequenos gênios fazem birra, esperneiam e até fazem greve para conseguirem o que desejam.

Precisam de um basta que interrompa sua diversão com o game quando a hora é a da refeição, do banho ou da escola.
Necessitam receber não para regular a sua rotina e sua saúde.
Precisam de disciplina. E disciplina se faz com limites.

É um erro tratar as crianças simplesmente como cérebros ansiosos por mais e mais conhecimentos.

Elas necessitam de experiências afetivas, motivo pelo qual não podem dispensar as brincadeiras com outras crianças.

Assim como elas precisam da imposição dos limites pelos adultos, necessitam dos conflitos com seus amiguinhos para aprenderem a se relacionar com pessoas e coisas.
O mundo necessita de homens capazes de amar, de respeitar o semelhante, de reconhecer as diferenças, de pensar, muito mais do que de gênios sem moral, frios e calculistas.
A ciência, sem sentimento, tem causado males e tragédias.
Preocupemo-nos, pois, em atender a busca afetiva dos nossos filhos.
Permitamos que eles convivam com outras crianças, que criem brincadeiras, usando a sua criatividade.

Busquemos ensinar-lhes, através da experiência diária, os benefícios do afeto verdadeiro, abraçando-os, beijando-os, valorizando seus pequenos gestos, ouvindo-os com atenção.
A criança aprende o que vivencia. O lar é a primeira e fundamental escola. É nele que se forma o homem de bem que ampliará os horizontes do amor, nos dias futuros. Ou o tirano genioso que pensa que o mundo deve girar ao seu redor e somente por sua causa.
Mesmo a criança considerada um gênio precisa de cuidados elementares para crescer emocionalmente.
Para se tornar, de fato, uma pessoa com capacidade de criar, produzir e desfrutar junto com os outros, a criança precisa de afeto.
As crianças de hoje não amadurecem emocionalmente mais rápido do que as de antigamente.
Elas continuam a ter medo do desconhecido, a se alegrarem com pequenas coisas, a se sentirem infinitamente tristes pela perda de um animal de estimação.
São todas experiências importantes para a formação e o aprendizado emocional do ser humano, devendo ser valorizadas em todos os seus detalhes.
artigo intitulado Cérebros e corações para o Século XXI, do jornal Gazeta do povo de 2 de janeiro de 1999