terça-feira, 20 de abril de 2021

O ENFEITIÇAMENTO VERBAL - A DIFERENÇA ENTRE MALDIZER E ABENÇOAR

 


O enfeitiçamento pode efetivar-se pela força do pensamento, das palavras ou objetos imantados, que produzem danos a outras criaturas. O enfeitiçamento verbal resulta de palavras de crítica antifraterna, maledicência, calúnia, intriga e maldições. Seu autor é responsável perante a Lei do Carma e fica sujeito ao “choque de retorno” de sua bruxaria verbal, segundo a extensão do prejuízo que venha a resultar das palavras ou gestos desfavoráveis ao próximo.

 

Quando a criatura fala mal de alguém, essa vibração mental atrai e ativa igual cota dessa energia das demais pessoas que a escutam, aumentando seu feitiço verbal com nova carga malévola. Assim, cresce a responsabilidade do maledicente pelo caráter ofensivo de suas palavras, à medida que elas vão sendo divulgadas e apreciadas por outras mentes, atingindo então a vítima com um impacto mais vigoroso do que o de sua força original.

 

Evidentemente, a pessoa que fala mal de outrem só por leviandade, há de ser menos culpada espiritualmente de quem o faz por inveja, ódio ou vingança. No primeiro caso, as palavras não possuem a força molesta própria de uma deliberação malévola consciente. Porém, quem se concentra na ação deliberada de prejudicar alguém, elabora seu próprio infortúnio.

 

Quando o ser humano pensa, projeta em todas as direções energias benfeitoras ou malévolas, criadoras ou destrutivas, segundo a natureza de seus pensamentos e sentimentos. A palavra é, portanto, a manifestação sonora do sentimento ou pensamento gerado no plano oculto do ser. É tão sutil e influente a palavra, que certas pessoas, devido a um sentido oculto, chegam a pressentir quando alguém fala mal delas e ficam alertas contra algum perigo iminente.

 

Também existe profunda diferença entre o ato de maldizer e abençoar. Quando abençoamos, mobilizamos energia na forma de um combustível superior, para expressar a idéia e o sentimento sublimes de nosso espírito naquele momento. Durante o ato de abençoar, o homem revela na sua configuração humana a magnitude, mansuetude e o recolhimento do espírito preocupado em invocar forças superiores e benfeitoras em favor de alguém.

 

O brilho dos olhos, o gesto das mãos, a expressão do rosto e a quietude do corpo formam um conjunto de aspecto atraente, a combinar-se mansamente com o fluido amoroso que sempre acompanha a palavra benfeitora. Há indizível encanto e respeito no gesto da mãe que abençoa o filho, quando ela mobiliza sua força materna e invoca a condição divina de médium da vida, a fim de rogar ao Criador a proteção amorosa para seu filho. A bênção adoça a alma de quem a recebe e beneficia a quem a dá.

 

A expressão “Deus te abençoe” é vigoroso mantra que dinamiza na criatura a esperança e o júbilo espiritual. Com o magnetismo energético e hipnótico das palavras, podemos despertar energias e promover transformações miraculosas.

 

Por outro lado, o praguejador crispa as mãos e os olhos fuzilam despedindo faíscas de ódio; dilatam-se as narinas sob o arfar violento do amor-próprio ferido, ou entorce-se o canto dos lábios sobre os dentes cerrados. A fisionomia fica congesta e retesada, delineando o fácies animal na sua fúria destruidora. A maldição consciente é força tão diabólica, que arrasa a vítima indefesa e massacra seu próprio autor imprudente.

 

No entanto, a praga ou maldição proferida pela pessoa temperamental e sem controle emotivo, é impulso mais inofensivo do que a carga enfeitiçante e destruidora que se forja lenta e calculadamente no alquimismo do laboratório consciente mental. E o povo então considera inofensiva a praga que sai “da boca para fora”, mas arrepia-se quando ela parte do coração.

 

- do livro MAGIA DE REDENÇÃO