sexta-feira, 3 de julho de 2015

O AMOR





O panorama do mundo, no momento em que se inicia o terceiro milênio não é maravilhoso.

Há milhões de pessoas que estão passando fome. As guerras continuam devastadoras. Os homens disputam pedaços de terra, que chamam de territórios, como se fossem viver para sempre em cima deles. E cada pedacinho fica manchado com o sangue de muitas vítimas.

Há milhões de pessoas sem um teto.

Milhões que sofrem de aids.

Milhões que sofreram violência, de crianças a adultos e velhos.

Milhões de pessoas que padecem de invalidez, seja por terem nascido com a deficiência ou por terem sido vítimas de enfermidades, acidentes ou combates.

Todos os dias, em todo o mundo, mais alguém está clamando por compreensão e compaixão.

Este é o mundo que recebemos do milênio passado. O mundo que construímos.

Agora compete-nos construir o mundo renovado do terceiro milênio.

Escutemos o som das vozes de todos os que padecem. Escutemos como se fosse música, uma linda música.

Abramos os nossos corações para todos os que estão precisando e aprendamos que as maiores bênçãos vêm sempre do ajudar aos outros.

Acima de pontos de vista econômicos, de crença religiosa, de cor da pele, aprendamos que todos somos filhos do mesmo pai e nos encontramos na mesma escola: a terra.

Por isso o auxílio mútuo é dever de todos. Podemos não resolver os problemas do mundo, mas resolveremos o problema de alguém.

Não podemos resolver o problema da aids, mas podemos colaborar valorosamente nas campanhas de esclarecimento às novas gerações.

Não podemos diminuir as dores de todos os pacientes, mas podemos colaborar conseguindo a medicação precisa para um deles, ao menos.

Com certeza, não podemos devolver mobilidade a membros paralisados. Mas podemos nos tornar mãos e pernas, auxiliando sempre aqueles que precisam.

Podemos não resolver o problema da fome no mundo, mas podemos muito bem providenciar para que quem esteja mais próximo de nós, não morra à míngua, providenciando-lhe o alimento ou o salário justo.

É muito importante aprender a gostar de tudo o que fizemos.

Podemos ser pobres, e sentirmo-nos sozinhos. Podemos morar em um local não muito agradável, mesmo assim, ainda poderemos colocar flores nos corações e alegrar-nos com a vida.

Tudo é suportável quando há amor, único sentimento que viverá para sempre.


***



O amor é a virtude por excelência, seja na Terra, seja noutras moradas do Senhor.

O equilíbrio do amor desfaz toda a discriminação, quando se trata de efetuar a marcha para Deus.

Exercitando o amor conjugal, filial, paternal ou fraternal busquemos refletir, mesmo que seja à distância, o amor do nosso Pai, que a todos busca pelos caminhos da evolução.


Vivamos e amemos, de forma equilibrada, sentindo as excelsas vibrações que vertem de Deus sobre as necessidades do mundo.













Fonte: A Roda da Vida de Elisabeth Kübler-Ross, ed. Sextante, 1998, cap. 40 e Vereda Familiar, ed. Fráter Livros Espíritas, cap. 2

quarta-feira, 1 de julho de 2015

A DIGNIDADE DA HONESTIDADE



Quando alguém pergunta se somos honestos, em princípio, ficamos indignados, só em pensar que alguém duvide de que o somos.

No entanto, é importante que reflitamos um pouco a respeito da honestidade.

Grande parte de nós nos dizemos honestos, mas será que verdadeiramente o somos?

Quando limpamos o jardim, por exemplo, nunca jogamos a sujeira no quintal do vizinho?

Saindo de um emprego, damos entrada no Seguro Desemprego. Logo, estamos empregados novamente. Comunicamos ao órgão competente que não necessitamos mais receber o seguro ou pedimos ao novo patrão que espere alguns meses para fazer o registro na carteira para que possamos receber em dobro?

Se estamos dirigindo um veículo e raspamos noutro que está estacionado, cujo dono não está por perto -  qual é a nossa atitude? Damos no pé ou deixamos um bilhete com o telefone para posterior contato?

Enfrentamos com honestidade a longa fila dos bancos, teatros, repartições, etc. ou sempre ficamos procurando um conhecido ou um jeito qualquer de passar à frente dos que chegaram antes de nós?

Se vamos a um espetáculo qualquer, costumamos marcar os lugares com bolsas, carteiras ou outros objetos, para que nossos amigos, que cheguem em cima da hora, possam ocupar os melhores lugares, em detrimento dos que se esforçam e chegam cedo?

Se em épocas de eleições necessitamos pintar a casa, colocar vidros nas janelas, ou temos outra necessidade qualquer, procuramos um candidato para oferecer o nosso voto em troca de tais benefícios ou esperamos até que as possamos efetuar com nossos recursos?

Tendo urgência no despacho de um processo em determinado órgão, esperamos o trâmite natural ou tentamos dar um jeitinho de ludibriar os que não têm condições de dar o conhecido jeitinho?

Se trabalhamos no setor de compras de uma empresa, procuramos realmente os melhores preços e condições de pagamento, pensando exclusivamente no melhor para a nossa empresa, ou compramos onde nos ofereçam mais vantagens pessoais?

Ouvimos, várias vezes, o jargão popular afirmar que todo homem tem um preço. No entanto, para a honestidade não há preço, não há barganha, não há corrupção, nem corruptores. A dignidade de um ser humano honesto não tem preço, pois seu valor é inestimável. Dessa forma, poderíamos alterar o jargão popular e dizer: todo homem desonesto tem um preço, porque a dignidade jamais se corrompe.

Se ainda não conquistamos a virtude da honestidade como deve ser, lutemos por conquistá-la, a fim de podermos olhar no espelho e não nos envergonharmos da figura ali refletida.  Olhar nos próprios olhos e nada ter que censurar.

*   *   *

Ser honesto é agir de conformidade com as Leis Divinas. É não tentar ludibriar a própria consciência porque, mais cedo ou mais tarde, ela nos apresentará a conta dos nossos equívocos.

Se o honesto hoje ainda é uma raridade,  podemos inverter esse quadro, engrossando as fileiras dos que são verdadeiramente honestos. Agindo assim, de nada teremos que nos arrepender.
















Redação do Momento Espírita.