sexta-feira, 11 de julho de 2014

AUTOCONHECIMENTO E DISCIPLINA NA UMBANDA






Toda tenda de Umbanda, possui um ritual e embora estes rituais se modifiquem de terreiro a terreiro, é preciso que se norteie estes modos de se realizar uma gira, uma disciplina, ou seja, devem haver normas conhecidas por todos os integrantes do Templo, desde o Dirigente até o Iniciado que acabou de ingressar na Umbanda. Este deve ser orientado o máximo possível com relação a sua postura dentro do terreiro, bem como de suas obrigações e deveres para com seus irmãos e, claro, sobre as normas básicas de respeito, tratamento e conhecimento correto de quem são nossos mentores espirituais.

O primeiro a ter respeito  por tudo e por todos dentro de uma tenda de Umbanda não é o médium que se achega, que desconhece quase tudo o que acontece no interior de um terreiro. O maior respeito, atenção e firmeza de caráter deve vir, inicialmente, do Dirigente e dos filhos mais velhos.

Num terreiro de Umbanda, cada um deve ser o que é, não devem existir máscaras ou meias intenções. Aquele que acorre a um terreiro pela primeira vez, deve ser ele mesmo, pois só assim poderá sentir, de fato, as mudanças que se processarão para melhor em sua vida, à medida que for se auto-conhecendo, é claro, pois não faz sentido existir um terreiro de Umbanda se não tiver por meta superior proporcionar a melhora de seus integrantes, bem como daqueles que acorrem às suas giras de caridade.

A Umbanda ensina que cada um é o que é. Cada pessoa, em seu íntimo, sabe perfeitamente quais são seus processos de ação e reação para com o mundo que o cerca. É verdade que existem pessoas que precisam de uma direção, precisam de alguém que lhes mostre o caminho.

Infelizmente, quase todos procuramos nos esconder de nós mesmos, pois falta-nos coragem para se olhar no espelho. Poucos de nós têm consciência plena de quem somos fisicamente, emocionalmente e a nível de pensamentos. Devemos nos esforçar para saber quem somos na realidade, assumindo nossos defeitos e assim darmos o primeiro passo para a mudança. Para isso, dentro de um terreiro de Umbanda, podemos contar com o auxílio fraterno das Entidades e também com os conselhos de irmãos mais experientes e sinceros.
       
Mas dar e mostrar uma alternativa melhor para se viver não quer dizer “modificar” atitudes e consciências à força, como se, alguém acostumado a determinados hábitos, repentinamente mudasse de opinião, ou passasse a acreditar em algo.
       
A Umbanda não agride consciências, não visa tornar ninguém infeliz ou vazio de religiosidade. Ela é grande o bastante para mostrar a que todos os caminhos levam ao mesmo destino, e que, na realidade, não são os caminhos que importam, mas antes o aprendizado que se tem quando anda por eles.
       
  

O verdadeiro Umbandista respeita todos os credos e todas as filosofias, e sabe, mesmo que interiormente, que a mesma fé que o faz amar seus Guias e Protetores, faz católico amar sua igreja ou um muçulmano amar a Alá. Se existem distorções desta fé, é porque existem distorções do que faz esta fé existir.












APOSTILA AELA

quarta-feira, 9 de julho de 2014

MAUS PENSAMENTOS




        O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os seus pés no assoalho da casa.

        Seu Pai, que estava indo para o quintal fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo chama o menino para uma conversa.

        Zeca, de oito anos de idade, o acompanha desconfiado.

        Antes que seu pai dissesse alguma coisa , fala irritado:

        --- Pai, estou com muita raiva. O Juca não devia ter feito aquilo comigo. Desejo tudo de ruim para ele.

        Seu pai, um homem simples mas cheio de sabedoria, escuta, calmamente, o filho que continua a reclamar:

        --- O Juca me humilhou na frente dos meus amigos; não aceito; gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola.

        O pai escuta tudo calado enquanto caminha até o abrigo onde guardava um saco cheio de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal e o menino o acompanhou, calado.

        Zeca vê o saco aberto e antes mesmo que ele pudesse fazer uma pergunta, o pai lhe propõe algo:

         --- Filho, faz de conta que aquela camisa branquinha que está secando no varal é o seu amiguinho Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu, endereçado a ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço. Depois eu volto para ver como ficou.

        O menino achou que seria uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra.
        O varal com a camisa estava longe do menino e poucos pedaços acertaram o alvo.

        Uma hora se passou e o menino terminou a tarefa.
        O pai, que espiava tudo de longe, se aproxima do menino e lhe pergunta:

         --- Filho, como está se sentindo agora?

        --- Estou cansado mais estou alegre porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa.

        O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela brincadeira, e carinhoso lhe fala:

         --- Venha comigo até o meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa.

        O filho acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho onde pode ver seu corpo todo.

        Que susto! Só se conseguia enxergar seus dentes e os olhinhos.

        O pai, então, lhe diz ternamente:

         --- Filho, você viu que a camisa quase não se sujou; mas, olhe só para você. O mau que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a borra, os resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos.

         Zeca teceu um sorriso envergonhado e falou feliz:

         --- Vou tomar um banho e depois lavar a camisa.













                        (João Bonon Netto)