sábado, 4 de outubro de 2014

O BEM E MAL, REFORMA ÍNTIMA POR SANTO AGOSTINHO



Devemos interrogar a própria consciência, passando em revista os atos cotidianos, para a identificação dos desvios do deveres que deveriam ter sido cumpridos e dos motivos alheios de queixa por conta dos nossos atos. Por este meio chegou ele, Santo Agostinho, a se conhecer “e a ver o que [nele] precisava de reforma”.

Quem se disponha a examinar os atos cotidianos para identificação do bem ou do mal que se possa ter feito “grande força adquiriria para se aperfeiçoar”. Acresce ele que se deve rogar a Deus e aos espíritos protetores esclarecimento, pois “Deus o assistiria” neste sentido.

Propõe para o exame dos atos cotidianos o dirigir a si mesmo perguntas, o interrogar-se sobre o que se faz e com que propósito para identificarmos se fizemos algo que censuraríamos se praticado por outra pessoa, e também se fizemos algo que não ousaríamos confessar.

Propõe ainda mais, fazendo-nos situar diante da vida na condição daquele que pode retornar ao mundo dos Espíritos a qualquer instante, onde deveremos fazer o balanço dos próprios atos praticados durante a experiência carnal: ao desembarcar no outro lado da vida onde nada pode ser ocultado teríamos “que temer o olhar de alguém”?

A prova de que podemos descansar a consciência está em examinar se nada fizemos contra a Divindade, ao próximo e a nós mesmos.

Porque seja difícil a auto-avaliação, o auto-julgamento por conta das ilusões do amor-próprio, é proposto como meio de verificação isento de ilusão perguntar a si mesmo como classificaríamos nossas próprias ações, se praticadas por outras pessoas. Se tivermos motivos para censurar tais ações, torna-se claro que não devemos agir do mesmo modo.

Na mesma linha de raciocínio, propõe ele que procuremos verificar o que pensam os outros sobre os nossos atos. E mais: a opinião dos inimigos, por não terem nenhum interesse em mascarar a verdade, não deve ser desprezada, pois eles são um bom meio de advertência, utilizando-se com mais freqüência da franqueza do que faria um amigo.

Aconselha ainda àqueles que se sintam possuído do desejo sério de melhorar-se a investigar minuciosamente a própria consciência a fim de extirpar de si os maus pendores. E tal como ele próprio o fazia, que busquemos dar um balanço diário de nossas ações morais, para avaliarmos perdas e lucros; os lucros serão maiores que as perdas se assim agirmos.

Em seguida Santo Agostinho afirma textualmente: “Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida.” O seu dia, cremos nós, deve ser entendido com a culminância de uma sucessão de dias. De qualquer forma, indica-nos a necessidade de aproveitarmos bem todos os dias, dando atenção ao tempo que costuma fugir-nos das mãos, caso não o administremos bem.

Como meio de auto-exame da consciência, recomenda que formulemos “questões nítidas e precisas”, não temendo multiplicá-las, de modo a nos interrogarmos acerca de nossos próprios atos. Este diálogo íntimo, que não toma mais que alguns minutos e “alguns esforços”, é meio de conquista da “felicidade eterna”.

Posto que muitos têm o futuro como incerto, é que os espíritos vêm dissipar as nossas incertezas “por meio de fenômenos” capazes de nos ferir os sentidos e de “instruções” (que nos cabe, por nossa vez, também disseminar).

O comentário breve de Kardec a esta resposta é digno também de exame. E para tanto tomamos a liberdade de transcrevê-lo literalmente:


Muitas faltas que cometemos nos passam despercebidas. Se, efetivamente, seguindo o conselho de Santo Agostinho, interrogássemos mais amiúde a nossa consciência, veríamos quantas vezes falimos sem que o suspeitemos, unicamente por não perscrutarmos a natureza e o móvel dos nossos atos. A forma interrogativa tem alguma coisa de mais preciso do que qualquer máxima, que muitas vezes deixamos de aplicar a nós mesmos. Aquela exige respostas categóricas, por um sim ou não, que não abrem lugar para qualquer alternativa e que são outros tantos argumentos pessoais. E, pela soma que derem as respostas, poderemos computar a soma de bem ou de mal que existe em nós.










ABEL SIDNEY SONCA PORTAL DO ESPÍRITO

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

SENTIR É CAUSAR



Pesquisando na Internet sobre este tema que estamos tratando, encontramos uma interessante dissertação de mestrado, na área da Psicologia Social, que em resumo trata da relação entre maturidade, estabilidade emocional e altruísmo. A autora deste trabalho investigou o perfil daqueles que adotam crianças, tendo comparado o grupo que adota crianças ainda bebês e aqueles que o fazem com crianças maiores. Ao final conclui-se que “os adotantes tardios realmente mostraram-se mais maduros, estáveis emocionalmente e mais altruístas do que os adotantes convencionais”.

Buscando a equivalência do conceito de abnegação e altruísmo, podemos inferir que aqueles que se devotam ao próximo, esquecidos de si mesmos, têm por resposta, em decorrência direta, uma maior maturidade e estabilidade emocional (enfim, os sentimentos de plenitude, de paz, tão almejados por todos). Abnegar-se, no caso específico das adoções tardias, isto é, de crianças maiores, com 2 ou mais anos, é romper com as convenções, assumir o sacrifício da adaptação, dar-se em maior cota de amor para integrar a criança à nova família.

Podemos parafrasear Martin Claret e afirmar que sentir é causar. Isto é, aqueles que experimentam, exercitam sentimentos elevados, aqueles voltados ao bem-estar do próximo, modificam suas próprias vidas. Causam transformações no campo de manifestações das emoções, adquirindo o que se denomina frequentemente de equilíbrio ou centramento psicológico (fulano é uma pessoa centrada, equilibrada).

Por outro lado, sentimentos pouco elevados, carregados de apego ao ego, causam também, ou seja, promovem também modificações em nossas vidas – pessoais e coletivas. A discriminação étnica, racial que tem causado tantos problemas no mundo, é exemplo disto. Os resultados, no mais das vezes, são tragédias, quer pessoais, grupais ou coletivas (o extermínio dos judeus, já citado; a perseguição aos ciganos no leste europeu; as sutis discriminações aos negros brasileiros e outros lamentáveis exemplos).















ABEL SIDNEY DE SOUZA