Quando um cambono se aproxima para acender o charuto de um guia, há atenção em cada gesto. Ele está ali para ajudar, acompanhar o trabalho e cuidar também do médium que se dedica à gira.
Em muitos terreiros, essa função pede conhecer os materiais usados, ouvir com atenção e ajudar a esclarecer uma orientação quando alguém não compreende. Cada terreiro ensina esse cuidado conforme seus fundamentos.
Essa proximidade também exige respeito. Quem camboneia pode ouvir uma dor de família, uma preocupação ou uma história difícil de contar. O que foi confiado naquele momento precisa ser guardado, sem virar comentário depois da gira. Preservar a intimidade de alguém também é uma forma de cuidar.
Ao lado dos guias, o cambono também aprende. Pergunta quando não sabe, escuta e acompanha de perto o trabalho espiritual. E, quando a gira termina, ainda há materiais para recolher e guardar. O carinho está nesse cuidado até o fim.
Aos cambonos que dedicam suas mãos, seu tempo e sua fé a esse trabalho: nosso respeito e gratidão. Que os guias fortaleçam vocês no serviço e no aprendizado. Que vocês também recebam o cuidado que ajudam a oferecer.
