quinta-feira, 2 de junho de 2016

DISCIPLINA E RESPONSABILIDADE NA ATUAÇÃO MEDIÚNICA




Recapitulamos aqui as noções de responsabilidade que devem nortear o médium para o bom exercício de suas faculdades psíquicas. Em nossos estudos , até aqui, temos analisado a importância de aspectos como o estudo, a meditação, o compromisso e a vivência evangélica, como fatores decorrentes da conscientização de nosso papel de instrumentos da Espiritualidade. Tudo isso nos remete à necessidade de se estabelecer uma disciplina no sentido de fortalecermos a responsabilidade frente aos serviços mediúnicos que abraçamos e sobretudo em nossas atividades rotineiras, fora da Casa Espírita. Como sabemos, somos médiuns 24 horas ao dia e, como tal, é imperioso desenvolvermos e acalentarmos princípios éticos que nos vão conduzir à prática da mediunidade com Jesus.

Não basta apenas sermos capazes de produzir fenômenos – é preciso sermos cada vez mais bons instrumentos a serviço dos Espíritos Superiores. No prefácio do livro “Nos domínios da mediunidade”, o guia espiritual Emmanuel fala sobre a necessidade de asilarmos o Cristo no coração e na consciência, sob pena de ficarmos desorientados ao toque dos fenômenos. Segundo ele, “sem noção de responsabilidade, sem devoção à prática do bem, sem amor ao estudo e sem esforço perseverante em nosso próprio burilamento moral, é impraticável a peregrinação libertadora para os Cimos da Vida”. Se nossa real intenção é a de sermos bons médiuns, importa entendermos com clareza as noções de responsabilidade e disciplina.

Longe de divisar, para o medianeiro, falsas ideias de missões de avultada transcendência – somos, ainda, médiuns de prova, certo? –, a responsabilidade de que falamos deve fazer reconhecermo-nos “humildes portadores de tarefas comuns, conquanto graves e importantes como as de qualquer outra pessoa”. Isto é o que nos diz André Luiz, em “Conduta espírita”, acrescentando que “o seareiro do Cristo é sempre servo, e servo do amor”. Nesse aspecto, é de grande relevância a necessidade de auto evangelização: sem a vivência evangélica, aprendendo e praticando as lições de doação abnegada deixadas por Jesus, nossa atuação medianímica será como a de uma máquina que ao primeiro sinal de esgotamento será substituída.

Tratamos como seres tão carentes como nós mesmos – na verdade, somos até mais necessitados, uma vez que os Espíritos sofredores que ajudamos a atender vêm nos auxiliar em nosso trabalho de aperfeiçoamento, a dizer-nos com seus exemplos que é preciso transformarmo-nos para melhor. Temos, pois, necessidades a considerar e a primeira delas, conforme Emmanuel, em “O Consolador”, é a de evangelizarmo-nos a nós mesmos antes de nos entregarmos às grandes tarefas doutrinárias, quais as reuniões mediúnicas. Porque de outro modo, pondera o nobre Espírito, poderemos nos esbarrar sempre com o fantasma do personalismo, em detrimento de nossa missão.

Vivência evangélica e moralidade

Bem se vê – pelo que se disse mais atrás – que tal vivência implica no cultivo da moralidade, pois pouco nos adianta conhecer a fundo o texto evangélico e nos comportarmos como os “sepulcros caiados” que o Cristo criticou há dois mil anos, porquanto irrepreensíveis na aparência e conspurcados na intimidade... “O primeiro inimigo do médium reside dentro dele mesmo, reforça-nos Emmanuel.
Tal inimigo, diz o Mentor, apresenta-se frequentemente como o personalismo, a ambição, a ignorância ou a rebeldia no voluntário desconhecimento de nossos deveres à luz do Evangelho, fatores de inferioridade moral que, não raro, nos conduzem à invigilância, à leviandade e à confusão dos campos produtivos.
Mas há meio de nos safarmos: “Contra esse inimigo é preciso movimentar as energias íntimas pelo estudo, pelo cultivo da humildade, pela boa vontade, com o melhor esforço de auto educação, à claridade do Evangelho”.

No capítulo XVI de “O livro dos médiuns”, Allan Kardec, devidamente assessorado pelos Espíritos Superiores, tece considerações acerca dos bons médiuns, classificando-os como sérios, modestos, devotados e seguros. Assim como podemos encontrar todas essas características em um só medianeiro, é possível também só observarmos algumas delas, em se tratando daqueles militantes nas hostes espíritas.

O Codificador, porém, traça aqueles caracteres hierarquicamente, ponto o aspecto da seriedade no início da escala. Para Kardec, os médiuns sérios, pois, são “os que não se servem de sua faculdade senão para o bem e para as coisas verdadeiramente úteis; creem profana-la fazendo-a servir à satisfação de curiosos e de indiferentes, ou para futilidades”.

Entendemos que alguém nessas condições estará apto à modéstia, à devoção à causa abraçada e principalmente à segurança no exercício de suas faculdades medianímicas.

De modo que “além da facilidade de execução”, pondera o Codificador, “merecem plena confiança, por seu próprio caráter, a natureza elevada dos Espíritos que os assistem, e que são menos expostos a serem enganados”.

Assim, convém estarmos atentos ao trabalho disciplinado e responsável, conscientes de que, como nos alertam os Emissários do Cristo em O Livro dos Espíritos, “não fazer o bem já é fazer o mal”.















quarta-feira, 1 de junho de 2016

O PERISPÍRITO




O Perispírito

O perispírito, ou corpo fluídico, também conhecido como corpo astral, psicossoma, corpo celeste e outras denominações, é o corpo de que se serve o Espírito como veículo de sua manifestação no Plano Espiritual e como intermediário entre o corpo e o espírito quando encarnado.
Para melhor entendimento do perispírito, analisaremos este assunto sob os seguintes prismas: constituição, função, apresentação e propriedades.


– Constituição

•     De natureza sutil, o perispírito é constituído do fluido universal inerente ao globo em que estagia, razão porque não é idêntico em todos os mundos.
•     Sua natureza está em relação direta com o grau de adiantamento moral do Espírito; daí decorre que o mesmo se modifica e se aprimora com o progresso moral que conquiste.
•     Enquanto as entidades superiores formam o seu perispírito com os fluidos mais etéreos do plano em que estagiam, as inferiores formam dos fluidos mais densos, ou grosseiros, pelo que, seu perispírito chega a confundir-se, na aparência com o corpo físico.


– Função

•     O Espírito pela sua essência é um ser abstrato, que não pode exercer ação direta sobre a matéria bruta.Precisa de um elemento intermediário (fluido universal), daí a necessidade do envoltório fluídico - o perispírito.
•     O perispírito faz do Espírito um ser definido, tornando-o capaz de atuar sobre a matéria tangível.É, assim, o traço de união entre o Espírito e a matéria.
•     Quando encarnado, o Espírito se vale do perispírito para atuar sobre o corpo e sobre o meio ambiente e, por seu intermédio, recebe sensações dos mesmos.
•     Despojado do corpo físico, pela desencarnação, o Espírito permanece com o perispírito, veículo de sua manifestação no Plano Espiritual.


– Apresentação

•     O perispírito toma a forma que o Espírito queira.
•     Atuando sobre os fluidos espirituais, por meio do pensamento, e da vontade, os Espíritos imprimem a esses fluidos tal ou qual direção:Aglomeram-nos, combinam ou dispersam, forma conjuntos de aparência, forma e cor determinadas.
•     Essas transformações, obedecendo a vontade do Espírito, permitem-lhe ter ou apresentar-se com a forma que mais lhe agrade.Podendo, num dado momento, alterar sua aparência instantaneamente.
•     Essas transformações podem ser o resultado de uma intenção ou o produto de um pensamento inconsciente.Se num ambiente o Espírito apresenta-se com a aparência de sua última existência, pode, inconscientemente, modificar-se no recinto; algo, ou alguém o faz recordar-se de uma precedente reencarnação.Tão logo desliga o seu pensamento do passado, retorna à aparência atual.


– Propriedades

•     Um Espírito pode, portanto, apresentar-se ao médium com a aparência de uma existência remota (vestuário ou outros sinais característicos da época, inclusive cicatrizes, etc), embora isto não signifique que ele conserve normalmente essa aparência, mas sim a de vidas posteriores (geralmente a última experiência na Terra).
•     Mesmo um Espírito apenas intelectualmente desenvolvido, embora moralmente atrasado, pode apresentar-se ao médium sob a aparência que deseje (pela disposição do seu pensamento), até mesmo de uma outra entidade, num processo de mistificação espiritual.
•     Normalmente, no entanto, o perispírito retrata a condição íntima do Espírito, razão pela qual, premido por um estado consciencial de culpa, este se apresenta portando inibições, defeitos, aleijões, ou problemas outros, dos quais, embora o desejasse, não se pode furtar.