quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

FIM DE ANO

  







    Amado Pai Oxalá,

Senhor dos Orixás, força suprema.

Mestre fiel, que nos ama e nos dá bençãos,

Novamente findando mais um ano, venho te agradecer por tantas
maravilhas recebidas de ti.

    Agradeço extremamente pelo Sol ao raiar da manhã,
Pelos jardins que embelezaram nossos caminhos,
pelo novo dia que tu nos presenteia,
pelas chuvas que nos cederam a água para matar nossa sede,
pelo vento que nos refrescaram o corpo por muitas vezes tão cansado,
pelo imenso e poderoso mar que tanto nos encanta,
pelo pão que mata a fome de nossos semelhantes,

    Agradeço também querido Pai,
pelos obstáculos que me ensinaram a ser forte,
pela dor que me ensinou a não desistir e ser perseverante,
pelas lágrimas que pude secar de meus irmãos angustiados,
por tudo que pedi e o senhor me cedeu, e por algumas coisas que não o
fez, pois não era de meu merecimento,
agradeço pelos amigos que me acompanharam por todo ano, e agradeço
pelos possíveis inimigos que tu tiraste de meu caminho,
agradeço a sabedoria de poder responder com convicção algumas questões
nas buscas de ajudas de amigos desesperados, ou daqueles que
simplesmente achavam que seus problemas eram enormes, sem ao menos
terem olhado ao lado, e verem que os de seus semelhantes eram
extremamente maiores.
Também agradeço as palavras que me conduziste a falar, mesmo duras, a
aqueles que não deram valor as bençãos e lições que o Senhor os
concedeu.

    A ti Pai Oxalá, todos os Orixás e todas as Entidades de Luz,
entrego tudo que realizei esse ano.

    Tudo que passou por minhas mãos,
as coisas que pude criar,
o trabalho espiritual realizado,
as palavras de caridade,
a ajuda cedida.

    Querido Pai Oxalá,
nesse momento lhe entrego todos os amigos
que comigo percorreram tantos caminhos em favor ao bem e ao amor.

    Lhe entrego também as pessoas que foram centenas,
os que de alguma forma se aproximaram de mim me trazendo carinho,
amor e paz.

   Entrego em teu abraço paternal esses irmãos que estão bem pertinho
de mim, e também os que estão tão distantes, mas mesmo assim rompem
fronteiras para nos agraciar com seu carinho.

    Também peço sua proteção Querido Pai Oxalá,
para aqueles que me estenderam as mãos na hora do desespero,
e também para aqueles que pediram minhas mãos num momento de
angústia.

    Agradeço por cada resposta cedida quando me encontrava em dúvida,
e agradeço a luz dada a cada instante que eu não encontrava uma saída
para meu semelhante.

    Também gostaria, além de lhe agradecer Senhor, lhe pedir perdão.

    Perdão pelas palavras mal ditas,
pelo tempo desperdiçado com coisas desnecessárias,
pelo dinheiro mal empregado em coisas fúteis,
pela falta de entendimento com fatos que achei irrelevante,
pela falta de paciência com algumas pessoas,

    Perdão pela oração não feita na hora devida,
ou pela oração não passada a quem necessitava.

    Perdão pelo momento que deixei um irmão sem uma palavra esperada.

    Perdão por não ter agradecido o suficiente, e ter pedido mais do
que eu necessitava.

    Perdão por achar que as vezes meus problemas eram maiores dos que
os de meus irmãos de fé.

    Perdão pelas reclamações de um dia chuvoso, ou pelo mal humor de
um dia de muito calor.

    Perdão por não ter posto em prática a oração diária pelos meus
semelhantes que buscavam um afago espiritual.

    Perdão por não me lembrar que temos milhares de crianças morrendo
de fome por todo o mundo, enquanto fazemos nossas refeições sem culpa.

    Querido Pai de todos nós,
a ti entrego esse novo ano.
Ano esse que não sabemos o que vem pela frente,
que não sabemos como passaremos,
que não sabemos se sorrisos daremos,
quantas lágrimas secaremos,
quantas orações teremos,
quantos pedidos faremos,
quantos obstáculos passaremos,
e quantas vezes mais nos ajoelharemos
para de novo pedir implorar sem lhe agradecer.

    Portanto querido Pai Oxalá,
hoje lhe peço já agradecendo,
para mim, meus amigos e a todos de bom coração,
Paz, amor e compreensão,
a felicidade com largos sorrisos,
a fortaleza para sobreviver,
a sabedoria e o entendimento,
o otimismo e a bondade,
a luz e a caridade.

    Peço que feche meus ouvidos para toda falsidade,
e minha boca a palavras maledicentes.

    Peço que eu seja luz a quem está na escuridão,
estradas abertas a quem busca um caminho,
paz a quem está em desespero,
esperança a quem perdeu a fé.

    Me faça assim Senhor, por todo esse ano que se inicia,
para que eu possa levar seu nome,
podendo assim criar uma corrente de paz, fraternidade, caridade, fé e
amor.

    Querido Oxalá,
a meus irmãos de fé que leem essa mensagem,
se inebriem de amor paz e sabedoria,
para que assim essas sementes comecem a crescer
por todo novo ano,
por toda a vida.

Feliz ano novo a todos os irmãos Umbandistas ou não.

Que Pai  Oxalá, todos os Orixás e todas as Entidades de Luz abençoe a
todos, não só nesse novo ano, mas também por toda a nossa vida terrena
e espiritual.

Que assim seja !



São os votos da Associação Espiritualista Luzes de Aruanda , a todos os irmãos de fé.



















terça-feira, 29 de dezembro de 2015

PAI GUINÉ - É O VENTO QUE BALANÇA A FOLHA



As coisas estavam um pouco diferentes naquela noite. Não esquisitas, nem estranhas, só diferente. O terreiro estava limpo e cheio de energias boas e confortantes, com as seguranças feitas e os médiuns dispostos.

Os consulentes aos poucos iam chegando e trazendo suas dores e lamentos para os pais, cada qual com a esperança de melhoras.

A sessão começou com todos cantando e elevando seus espíritos a Deus, unidos e amparados pela Luz Divina que vem de Aruanda, do Reino de Oxalá. O Guia do dirigente espiritual do terreiro incorporava em seu médium para mais uma sessão de amor e caridade aos irmãos necessitados, ao som de seu ponto cantado:

"É o vento que balança as folhas guiné,
É o vento que balança as folhas,
É, é, é Pai Guiné, é o vento quem balança as folhas."

Um a um, os consulentes foram sendo guiados para os caminhos do amor através da conversa sincera e dos passes magnéticos dos Guias do terreiro. Tudo estava correndo normalmente, ou parecia estar, até que uma consulente incorpora um kiumba que esperneava e xingava a todos os presentes.

Pai Guiné levantou de seu toco deixando seu consulente esperando e foi até o kiumba. Apenas olhou com resignação e compaixão daquele espírito perdido nas trevas da ignorância, do preconceito e sobretudo do ódio.

O kiumba, ao pressentir a chegada do Preto pára de espernear e com ódio olha para Pai Guiné e fala:

- É bem capaz que esse negro vai me fazer parar!

Pai Guiné responde:

- Parar, esse nego velho não vai, porque nenhum espírito merece ficar parado nas escalas evolutivas que regem o Universo e se o irmão acha que ficaremos aqui contracenando num teatro está muito enganado.

O kiumba, assustado e sem saber o que fazer segue esperneando e xingando a todos. O Preto-Velho bate sua bengala no chão, o kiumba pára e, vagarosamente, a cada nova batida da bengala do Preto-Velho ele se desliga dos chacras da consulente, que é energizada e convidada para uma franca conversa com Pai Guiné.

- Obrigada Pai, não sei quem mandou aquele encosto, aposto que foi alguém do meu serviço!

A consulente foi interrompida em seus delírios de obsessão e o Preto Velho lhe responde com sabedoria:

- Minha filha, hoje você veio nesse terreiro querendo destruir a todos que lhe rodeiam, irmãos que você supunha serem seus inimigos. Ninguém mandou o encosto para você, minha filha, apenas era um espírito com afinidade de seus sentimentos de ódio e rancor.

As palavras do Preto-Velho fizeram a consulente refletir. E, após um silêncio de reflexão, Pai Guiné continua sua conversa:

- A filha acha que, por ter um bom emprego e um bom cargo, seus colegas lhe invejam e seu chefe lhe persegue, mas não vê que seu emprego apenas reflete aquilo que a filha fez ou deixou de fazer por aqueles colegas que mais precisavam da sua ajuda, virando-lhes o rosto e sendo ríspida com quem hoje poderia ser seu amigo ou sua amiga. A filha veio nesse terreiro procurando o mal e, influenciada pelo kiumba, é o que levaria para casa, mas esse Negro Velho, inspirado por seu Anjo da Guarda veio ao seu auxílio. Espero que a filha volte ao seu lar, agora com a aura limpa e com um pouquinho mais de sabedoria, que plante sementes de compaixão, humildade e caridade, que, tenho certeza, irá colher paz, amor e muitas felicidades.

Ao cessarem as palavras de Pai Guiné a consulente, com lágrimas nos olhos agradeceu com sinceridade ao humilde e sábio Pai Guiné de Aruanda e saiu do terreiro levando amor, um corpo espiritual limpo e a certeza de ter encontrado a luz.

A cada vento que bate em seu rosto lhe trazendo paz, ela se lembra de que, nos momentos mais difíceis Pai Guiné lhe carrega nos braços, e lhe lembra que ele é o vento quem balança as folhas.

















Fonte: Jornal Nacional de Umbanda Edição 38.