domingo, 27 de junho de 2021

A BÊNÇÃO DO ESQUECIMENTO

 



Um dos postulados básicos do espiritismo é o da pluralidade das existências ou reencarnação.

 

A evolução dos espíritos exige inúmeras existências para aperfeiçoar-se.

 

Todos são criados simples e ignorantes, mas seu destino é tornarem-se anjos.

 

A magnitude da meta evidencia a impossibilidade de ser alcançada no curto espaço de uma vida terrena.

 

Um questionamento frequentemente levantado a essa ideia refere-se ao esquecimento das existências passadas.

 

Afirma-se que esse olvido é contraproducente.

 

Se já vivemos muitas vezes na terra, por que não nos lembramos?

 

Segundo alguns, a lembrança auxiliaria a não repetir os equívocos do passado.

 

Também serviria de incentivo à adoção de um patamar nobre de conduta.

Afinal, seria possível correlacionar as dores atuais a específicos erros de outrora.

 

Consequentemente, as criaturas teriam interesse em agir com dignidade.

 

A crítica parece sedutora, mas não resiste a uma análise criteriosa.

 

Tenha-se em mente que o esquecimento constitui a regra geral.

Raras pessoas têm, naturalmente, a lembrança de seu agir em outras existências.

 

A sabedoria divina certamente possui razões para assim estabelecer.

Convém recordar que a lei do progresso rege a vida.

Toda a criação está em permanente processo de evolução e metamorfose.

 

Na conformidade dessa lei, os espíritos não retroagem em suas conquistas.

As posições sociais mudam constantemente, mas ninguém é hoje pior do que já foi um dia.

As conquistas morais e intelectuais dos espíritos jamais são perdidas.

 

Assim, cada homem hoje se encontra no auge de seu processo evolutivo.

Ninguém nunca foi no passado mais bondoso ou nobre do que é agora.

 

Ocorre que a maioria absoluta da humanidade possui atualmente inúmeras mazelas morais.

Isso evidencia que o passado dos homens, em geral, não é repleto de nobres e belas ações.

 

Nesse contexto, o esquecimento das encarnações pretéritas constitui uma bênção.

 

No âmbito de uma única existência, quantas vezes a criatura deseja esquecer seus equívocos?

 

Não é fácil conviver com a lembrança de atos levianos.

 

Inúmeros relacionamentos periclitam pela dificuldade dos seres humanos relevarem os erros recíprocos.

E na verdade os erros são inerentes ao processo de aprender.

 

Não é possível sair da mais completa ignorância e transitar para a angelitude sem cometer equívocos nesse gigantesco caminhar.

 

Para propiciar os acertos necessários, a divindade permite o esquecimento do viver pretérito.

 

O que se viveu persiste na forma de intuições e tendências, simpatias e antipatias, facilidades e dificuldades.

 

Muitas vezes, o inimigo de ontem renasce na condição de um filho.

O esquecimento permite a transformação da mágoa em amor.

Ante o rostinho rosado e o olhar ingênuo de uma criança, torna-se possível amar a quem ontem odiávamos.

 

Quem outrora nos incomodava hoje nos auxilia na figura de um amigo ou irmão.

Sob a bênção do esquecimento, refundem-se as emoções e elos fraternos se estabelecem.

 

Assim, não é relevante lembrar o passado.

O importante é viver bem o presente.







segunda-feira, 21 de junho de 2021

NÓS PEDIMOS PARA NASCER ?

 


 

Muitos, principalmente os jovens, no momento de rebeldia dizem:

- EU NÃO PEDI PARA NASCER.

 

Diz Richard Simonetti: "Ledo engano. No Plano Espiritual não só pedimos como, não raro, imploramos a casais em disponibilidade que nos deem a oportunidade de um retorno às experiências humanas, reconhecendo-as indispensáveis à nossa edificação e à solução de problemas cármicos."

Chico Xavier disse que quando psicografava o livro "NOSSO LAR", viu milhares de Espíritos que aguardavam, por longo tempo, a oportunidade de reencarnar e completou dizendo que deveríamos respeitar o corpo que o Senhor nos concede, porque não será fácil uma nova oportunidade.

No livro "Missionários da Luz", o Espírito André Luiz, conta através da psicografia de Chico Xavier, a história de um Espírito que se preparava para reencarnar, com a intenção de reparar o erro que cometeu como mãe na Terra. Quando encarnada, foi devotadíssima mãe e esposa, mas contrariava a influência do marido no lar e estragava os filhos com excessos de meiguice sem razão. Eram três rapazes e uma jovem, que caíram muito cedo em desregramentos, e cedo desencarnaram. Após desencarnar entraram em regiões baixas. Quando esta mãe desencarnou, percebeu que falhou na educação dos filhos, então, implorou para reencarnar junto deles novamente. Seu pedido levou mais de 30 anos para ser concedido.

Observemos que, além de pedirmos, não é tão fácil uma nova oportunidade. Por isso, aproveitemos bem a nossa encarnação.

 

Compilação de Rudymara

Fonte: Grupo de Estudo "Allan Kardec"

 

O LIVRO DOS ESPÍRITOS

 

I – Prelúdio do Retorno

 

334. A união da alma com este ou aquele corpo está predestinada, ou no último momento é que se faz a escolha?

— O Espírito é sempre designado com antecedência. Escolhendo a prova que deseja sofrer, o Espírito pede para se encarnar; ora, Deus, que tudo sabe e tudo vê, sabe e vê com antecedência que tal alma se unirá a tal corpo.

 

335. O Espírito tem o direito de escolher o corpo ou somente o gênero de vida que lhe deve servir de prova?

— Ele pode escolher também o corpo, porque as imperfeições do corpo são provas que o ajudam no seu adiantamento, se ele vencer os obstáculos encontrados; mas a escolha nem sempre depende dele, que pode pedi-la.