sexta-feira, 15 de março de 2013

ENVELHECER OU AMADURECER ?







No primeiro dia na Universidade nosso professor se apresentou e nos pediu que procurássemos conhecer alguém que não conhecíamos ainda.
Fiquei de pé e olhei ao meu redor,quando uma mão me tocou suavemente no ombro. Era uma velhinha enrugada cujo sorriso lhe iluminava todo seu ser. - Oi gato, meu nome é Rose.Tenho oitenta e sete anos.
Posso te dar um abraço? Ri e lhe respondi com entusiasmo:- Claro que pode! Ela me deu um abraço muito forte. - Por que a senhora está na Universidade numa idade tão jovem,tão inocente?
Perguntei-lhe. Rindo, respondeu:- Estou aqui para encontrar um marido rico,casar-me, ter uns oito filhos, e logo me aposentar e viajar. - Eu falo sério - disse-lhe.
Queria saber o que a tinha motivado a afrontar esse desafio na sua idade. E ela disse:- Sempre sonhei em ter uma educação universitária e agora vou ter! Depois da aula caminhamos ao edifício da associação de estudantes e compartilhamos uma batida de chocolate.
Nós nos fizemos amigos em seguida.Todos os dias durante os três meses seguintes saímos juntos da classe e falamos sem parar. Fascinava-me escutar esta "máquina do tempo". Ela compartilhava sua sabedoria e experiência comigo. Durante esse ano Rose se fez muito popular na Universidade,fazia amizades aonde ia. 
Gostava de vestir-se bem e se deleitava com a atenção que recebia dos outros estudantes. Desfrutava muito. Ao terminar o semestre convidamos Rose para falar no nosso banquete de futebol. Não esquecerei nunca o que ela nos ensinou nessa oportunidade. 
Logo que chamaram seu nome ela subiu ao palco e,quando começou a pronunciar o discurso que tinha preparado de antemão,caíram no chão os cartões onde tinha os apontamentos .
Frustrada e um pouco envergonhada se inclinou sobre o microfone e disse simplesmente: - Desculpem que eu esteja tão nervosa.Deixei de tomar cerveja pela quaresma e este whisky está me matando!Não vou poder voltar a colocar meu discurso em ordem, assim, se me permitem, simplesmente vou dizer-lhes o que sei. Enquanto nós ríamos, ela aclarou a garganta e começou: - Não deixamos de brincar só porque estamos velhos;ficamos velhos porque deixamos de brincar. Há só quatro segredos para manter-se jovem,ser feliz e triunfar.
Temos que rir e encontrar o bom humor todos os dias. Temos que ter um ideal. Quando perdemos de vista nosso ideal, começamos a morrer. Há tantas pessoas caminhando por aí que estão mortas e nem sequer sabem! Respirou profundamente e começou: - Há uma grande diferença entre estar velho e amadurecer. Se vocês tem dezenove anos e ficam na cama um ano inteiro sem fazer nada produtivo, se converterão em pessoas de vinte anos. Se eu tenho oitenta e sete anos e fico na cama por um ano sem fazer nada terei oitenta e oito anos. 
Todos podemos envelhecer. Não requer talento nem habilidade para isso. O importante é amadurecermos encontrando sempre a oportunidade na mudança. 
Não me arrependo de nada. Os velhos geralmente não se arrependem do que fizeram, senão do que não fizeram. Os únicos que temem a morte são os que têm remorso. 
Terminou seu discurso cantando "A Rosa". Nos pediu que estudássemos a letra da canção e a colocássemos em prática em nossa vida diária. Rose terminou seus estudos. 
Uma semana depois da formatura, Rose morreu, tranqüilamente enquanto dormia. Mais de dois mil estudantes universitários assistiram às honras fúnebres para render tributo à maravilhosa mulher que lhes ensinou com seu exemplo que nunca é demasiadamente tarde para chegar a ser tudo o que se pode ser.


Reflexão:Não esqueçam que
ENVELHECER É OBRIGATÓRIO;AMADURECER É OPCIONAL.

quinta-feira, 14 de março de 2013

O PROBLEMA DO DESTINO




Uma questão que se apresenta para todos os seres humanos é o "porquê" do seu destino. Por que alguns são tão afortunados e outros não?
Qual a razão de termos tantas diferenças de nascimento entre os seres humanos, principalmente a grande desigualdade dos talentos e das fortunas?
Por que tanta diferença na vida, onde para uns parece sorrir a sorte e para outros tudo sair errado ?

A resposta para esta questão, intimamente ligada ao problema da existência da dor e do mal, parece impossível de ser encontrada pela mente ocidental. Como compatibilizar tanto sofrimento, tanta injustiça, com a existência de Deus?

Pois bem, a questão do destino não é tão complicada como se imagina , sua solução escapa dos pensadores quando estes restringem o seu próprio campo de visão, seja pelas doutrinas materialistas que professam - doutrinas que nada admitem além da morte - seja por apegarem-se a antigos dogmas religiosos, para os quais o homem vive apenas uma vez sobre a terra.

Uma vez que se admita a pré-existência do espírito, e sua jornada evolutiva através das reencarnações, o problema se coloca em outro prisma. Nosso destino atual nada mais é do que o resultado do que fizemos ontem e o nosso dia de amanhã será determinado pelo nosso modo de agir no agora. A lei de causa e efeito, dando a cada um conforme suas obras, estabelece o equilíbrio na criação e garante justiça para todos os seres.

O problema da existência do mal, também deixa de ser tão impressionante, para se revelar o resultado da existência em nosso planeta de uma população de espíritos endividados perante a lei eterna, recapitulando experiências difíceis, que deixaram de aprender pelos caminhos do bem. O mal, em si mesmo, é apenas o resultado da ausência de bem, da ignorância, do mesmo modo que as trevas são apenas a ausência de luz e não um poder antagônico a ela.

Determinando o destino, além da lei de "Causa e Efeito", há a lei do "Progresso", que impulsiona todos os seres para a perfeição. Na sua forma mais visível é esta lei que leva instintivamente todos os seres a buscarem a felicidade e a libertação do sofrimento. Nesta busca incessante desenvolvem suas capacidades e progridem.

Assim, o destino do homem é construído por ele mesmo. Da mesma forma o destino das sociedades é o resultado das ações coletivas de seus membros. A história, em essência, é o registro das causas e efeitos provocados ao longo do tempo pelo esforço das coletividades humanas em busca do progresso.

Como nem sempre o progresso intelectual é feito ao mesmo tempo que o moral, as circunstâncias variam enormemente na história dos povos. 

Grandes progressos intelectuais podem ser seguidos de grandes catástrofes morais.

Outras vezes séculos de penúria material trazem grandes progressos morais. A trama do destino é complexa e seu conjunto completo escapa da nossa visão restrita. Presos ao plano material perdemos a visão dos atos intermediários que se passam no plano espiritual e não temos a capacidade de abranger em nossa análise todos os milênios de aprendizado que cada um de nós tem por detrás de si.

A filosofia Espírita respondendo ao problema do destino, coloca diante do homem a responsabilidade de mudá-lo. Se nós mesmos fazemos nosso destino, é a nós que cabe criar o mundo melhor do amanhã. Ao espírita não basta apenas o conhecimento, é imprescindível a vivência desse conhecimento.









(Publicado no Boletim GEAE Número 451 de 11 de março de 2003 )