segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O BATISMO NA UMBANDA





A cerimônia de batizado acontece de diferentes formas nas diversas religiões. No Judaísmo, conhecido como bar-mitzvá ou Bat-mitzvá, acontece de formas distintas segundo o sexo da criança e é necessário para a iniciação religiosa dos fiéis. Para o Islamismo, batizar é fazer com que o bebê escute em primeiro lugar a palavra de Deus, que é proferida ao ouvido da criança após seu nascimento. Em seguida deve ser distribuído aos pobres o mesmo peso da criança em prata.  No Budismo, o ritual é realizado na fase adulta, quando durante um ano a pessoa se prepara para receber um novo nome e sua ordem na linhagem de Buda. No protestantismo, a criança a partir dos 10 anos ou o adulto, passa por uma cerimônia onde precisa ser imerso totalmente em água para receber o sacramento. Para o Candomblé, o Batismo acontece numa cerimônia conhecida como o dia de dar o nome, ou seja, dizer qual o Orixá da criança, a qual é banhada com óleos, mel e outros líquidos. No Catolicismo, o sacramento confirma que a criança é católica e que pertence a Igreja, pois o batismo é a porta de entrada para a religião, na qual o padre faz o sinal da cruz sobre a criança, unta seu peito com óleo e derrama água sagrada sobre sua cabeça. No Kardecismo não há batismo, pois eles dizem que não realizam rituais.

Como vemos, cada um tem a sua forma de se referir à cerimônia, com seus significados e liturgias. Em todas as religiões do mundo, o batismo é sem dúvida um sacramento primordial, cada um com seus rituais atendendo a vontade de Deus para com seu filho Jesus. O importante é que todas aproximam de Deus aquele que é batizado. Na Umbanda não acontece diferente. O Batismo vem como uma forma de unir o filho ao Pai, através dos elementos da natureza que energizam e consagram o amor divino em nossas vidas.

"Batizar" vem de uma palavra grega que significa "mergulhar". Tem por definição o recomeço, o novo nascimento, a inserção no Reino de Deus. Batizar é acordar para a religião a qual você se propõe seguir e adorar. Ao ter a cabeça lavada pela água sagrada, o cristão purifica suas energias para o seu próprio renascer espiritual, com a consciência de seu caminho. O Batismo dentro da Umbanda aparece como sacramento indispensável, pois só após realizá-lo, o médium terá uma vida religiosa completa. O recebimento deste sacramento marca o momento em que Oxalá consagra os filhos adeptos, como forma de protegê-los contra o mal e contra a negatividade.

É importante entendermos que o ritual fundamenta-se na limpeza áurica e na ativação dos chacras. A água realiza a limpeza, a purificação. Jogada normalmente sobre a cabeça, na altura do chacra coronário, ativa este chacra promovendo uma unificação com as forças espirituais superiores. Na Umbanda, além de ativarmos a ligação do chacra coronário com a força de Oxalá, normalmente consagramos ainda a cabeça às energias da natureza, promovendo então, não só a limpeza espiritual como o fortalecimento e o equilíbrio da relação matéria-espírito. Além disso, os outros chacras também recebem imantação, garantindo o fechamento destes às forças negativas e seu ativamento somente para a entrada de energias positivas e benéficas.

No batismo de Umbanda, os filhos indicam padrinhos para orientá-los no caminho da espiritualidade, sendo que estes podem ser irmãos encarnados ou guias espirituais, os quais serão devidamente representados por seus médiuns na hora da consagração. Os padrinhos são muito importantes na cerimônia do batismo, são eles se interessarão pelo desenvolvimento espiritual da pessoa. Geralmente os padrinhos são os responsáveis, juntamente com os pais, pelo ensino da religião. Não existe a obrigatoriedade dos padrinhos na Umbanda serem Umbandistas. Cabe aos pais decidirem ou ao adulto a ser batizado escolher seus padrinhos. O que é importante é que os padrinhos ao menos respeitem e compartilhem da intenção do sacramento, fazendo suas promessas com toda sinceridade e conscientes do seu papel.

O batismo dentro da Umbanda tem por finalidade regular a faixa vibratória da pessoa (adulto ou ainda criança) para que durante a sua vida terrena,  ela possa ter uma receptividade para as boas vibrações. Assim, afirma-se que a idade ideal para que o batismo seja realizado é preferencialmente das 7 semanas após o nascimento até os 7 anos de idade. Mas após esta idade também é importante sua realização, pois a proteção é sempre bem vinda durante toda a vida. Afinal de contas, sempre é tempo de despertarmos para a importância da fé em nossa jornada e, se tivermos auxílio de guias protetores, nosso caminho será ainda mais iluminado pela proteção daqueles que nos querem bem.

Segundo a Federação de Umbanda do Brasil, ainda são poucos os médiuns que são batizados com plena sabedoria do verdadeiro significado do batismo. É muito comum médiuns umbandistas serem batizados sem nenhum tipo de consciência sobre o quanto é importante esse sacramento. Dirigentes espirituais precisam perguntar aos seus filhos se é isso mesmo que eles desejam, preparando ou explicando o que significa esse ritual. Ao se batizarem, os Umbandistas criam uma ligação muito forte com o Oxalá e seus Orixás. O batismo é um ato simples, porém muito importante, pois é a porta de entrada da benção Divina de Oxalá e dos Orixás.

Cada chefe de terreiro dá suas instruções para o ritual, pois a liturgia da cerimônia depende ainda da linha e da falange que comanda a casa umbandista e sua forma de trabalho, mas sempre mantendo os mesmos fundamentos relacionados ao sacramento. O ritual pode ser praticado dentro do próprio terreiro como também na cachoeira, ou outro local que tenha forte carga de energias da natureza, como uma cachoeira, por exemplo. Os principais elementos utilizados pela liturgia de Umbanda no Batismo são a água purificadora de Oxalá, para fazer a lavagem da cabeça, filtro central de energia espiritual; A vela de cera, cuja chama é a Luz Divina que nos mostrará o caminho do bem e a pemba, para fazer imantação dos nossos centros energéticos, nos protegendo contra os fluidos negativos.  Outros elementos são adicionados à medida que o condutor da cerimônia verifica a necessidade.

Na Umbanda não se acredita no pecado em premiações ou punições após a morte; Crê-se que a vida pode ser boa e deverá ser levada com prazer e alegria. Por isso, o Batismo não deve ser entendido como a salvação da alma. Se o ser humano é feito a imagem e semelhança de Deus, como poderia a criança nascer sem as graças divinas? Ou um adulto não ser perdoado, mesmo com o arrependimento sincero de suas próprias faltas? O Batismo não é a condição para que alguém mereça ingressar no reino dos Céus. É apenas uma forma de proteção nesse mundo de provas e expiações.




A pessoa que recebe o Batismo de Umbanda não é obrigada a ter um vínculo definitivo com a religião. Ela apenas roga a proteção dos Orixás e dos guias espirituais para si. Recebe a ternura da benção dos vovôs e vovós e a firmeza de conduta dos caboclos de pena, com o objetivo de dar proteção e de anunciar a nova vida. Vida esta que futuramente decidirá seu destino religioso sem amarras, mas abençoada e protegida, independente desta escolha.


Para encerrar nosso estudo do dia de hoje, relembro aquele ponto que costumamos cantar que diz assim: “a Umbanda tem fundamento é preciso preparar…”. Desta forma é importante sempre ter em mente que os fundamentos de Umbanda são formas de canalização de energia para que possamos lidar com as situações que encontraremos durante a missão que viemos cumprir na Terra. Assim, é preciso trabalhar, estudar, organizar, estruturar e sentir a Umbanda através do entendimento do que praticamos. Receber a bênção do batismo de Umbanda é ser portador da missão de transmitir a palavra de Deus através de ensinamentos de fé, amor e caridade.




















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