segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

RETRIBUIÇÕES


           
Todo grupo mediúnico que trabalha com responsabilidade, boa sintonia e disciplina, tem sua própria egrégora, ou seja, o conjunto de energias que o identifica e caracteriza o seu trabalho e o seu objetivo, e, ao mesmo tempo, mantém, sustenta, protege e fortalece os seus trabalhadores.

Essa egrégora não se forma da noite para o dia e não se mantém sem que seja constantemente alimentada pelos seus integrantes, encarnados e desencarnados. Todos do grupo devem ter o compromisso de manter constantemente o equilíbrio físico, emocional, espiritual e energético, dentro e fora do trabalho mediúnico, a fim de sempre poderem contribuir positivamente para a mesma.

Se a egrégora de um grupo é forte, coesa, equilibrada e harmônica, este grupo dificilmente será desestabilizado por energias ou entidades negativas.  Ao contrário, se a egrégora não existe e o grupo se caracteriza por uma atmosfera energética instável e desarmônica, o grupo todo fica sujeito ao assédio de entidades desequilibradas, podendo surgir desavenças, intrigas, disputas, desentendimentos, doenças, etc.

Na Umbanda, considerando que seus membros manipulam energias muito densas, afastam de consulentes entidades trevosas, etc., a questão da disciplina (em todos os aspectos), deve ser mais rígida, para que seus trabalhos prossigam sob os auspícios da Espiritualidade Superior.

O que parece, às vezes, exagero do dirigente no sentido de manutenção da disciplina e no fortalecimento de aspectos evangelizadores e doutrinários constitui-se, na verdade, no grande pára raio ou entrave à entrada de inimigos invisíveis que atuam com o intuito de provocar a queda da Casa Umbandista.

Dentre os fatores que podem provocar a desmoralização de um Grupo Espiritualista (orgulho, vaidade, ciúmes, ignorância, etc.), vamos encontrar, também, a aceitação de ganho material ou retribuição pelo serviço prestado.

No tocante a retribuição podemos nos deparar com situações que, aparentemente, possam ser consideradas inofensivas, mas que se não forem bem conduzidas, poderão acarretar aos membros de um grupo espiritualista desvios de conduta relacionados à doutrina e aos ensinamentos do evangelho do Cristo.

Em grupos espiritualistas é comum se observa  pessoas que frequentam a assistência, manifestarem desejo de oferecer retribuições a alguns de seus membros ou a todos, por se sentirem gratificadas pelos benefícios recebidos. 

Chegam com suas ofertas e fazem questão de que a mesma seja recebida, argumentando que estão fazendo aquilo com todo amor e carinho, como forma de agradecer a dedicação e a atenção recebida por parte das pessoas que o integram.

Tal atitude, demonstra tratarem-se de pessoas bondosas e de enorme sentimento de gratidão, que sabem valorizar o trabalho fraterno que a Espiritualidade realiza utilizando-se do corpo mediúnico do Templo Umbandista.

Por mais que a pessoa ofertante esteja com a melhor das intenções, todo aquele que integra uma instituição espiritualista tem o dever de agir de acordo com os ensinamentos do Cristo, ou seja, “dar de graça o que de graça recebe”, não aceitando qualquer ganho material ou retribuição a título de qualquer intenção que seja.

Assim, para que se mantenha uma egrégora fortalecida, os membros de um grupo umbandista, na condição de simples tarefeiros da espiritualidade, devem ser constantemente doutrinados, dentro do que nos ensina a doutrina espírita, de forma que se mantenham sempre alerta em relação aos princípios morais relacionados à tarefa mediúnica.


              “Médiuns interesseiros não são apenas os que porventura exijam uma retribuição fixa; o interesse nem sempre se traduz pela esperança de um ganho material, mas também pelas ambições de toda sorte, sobre as quais se fundem esperanças pessoais. É esse um dos defeitos de que os Espíritos zombeteiros sabem muito bem tirar partido e de que se aproveitam com uma habilidade, uma astúcia verdadeiramente notáveis, embalando com falaciosas ilusões os que desse modo se lhes colocam sob a dependência.  Em resumo, a mediunidade é uma faculdade concedida para o bem e os bons Espíritos se afastam de quem pretenda fazer dela um degrau para chegar ao que quer que seja, que não corresponda às vistas da Providência. O egoísmo é a chaga da sociedade; os bons Espíritos a combatem; a ninguém, portanto, assiste o direito de supor que eles o venham servir. Isto é tão racional, que inútil fora insistir mais sobre este ponto. (Questão 306 - Livro dos Médiuns - Allan Kardec)











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